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Começa o plantio da soja não
transgênica
Estimulados pelo aumento da demanda
mundial, sobretudo da União Européia, produtores investem, já a
partir deste mês, no plantio de soja não transgênica. Cada saca
produzida recebe um prêmio que varia entre R$ 1 e R$ 2 sobre a
cotação normal da soja. Ainda é um prêmio pequeno, dizem os
produtores. Mas, como o mercado é recente, a tendência é a de
que o bônus aumente com a expansão das exportações.
Há cerca de um mês, o Grupo André
Maggi, a Brejeiro, a Caramuru Alimentos, a Imcopa e a Vanguarda,
cinco dos maiores produtores e fornecedores de soja não
transgênica do país, anunciaram, em São Paulo, a criação da
Associação Brasileira de Produtores de Grãos Não-Geneticamente
Modificados (Abrange), com o objetivo de fomentar o
desenvolvimento da produção brasileira deste tipo de grão,
explica o secretário-executivo da Abrange, Ricardo Tatesuzi de
Sousa. “É um mercado de enorme potencial”, diz. “A Polônia, por
exemplo, acabou de anunciar que só importará soja não
transgênica, com demanda inicial de 2 milhões de toneladas”.
Além da Europa, Coréia do Sul e Japão também são potenciais
compradores.
Confiança
“Há mercados interessados e o
Brasil, como fornecedor, precisa inspirar confiança e
segurança”, diz o presidente da Vanguarda, Otaviano Pivetta. “A
associação oficializa o pool de produtores com capacidade de
abastecer esse mercado”. Segundo Pivetta, o prêmio pago pela
saca pode chegar a 5%. Por enquanto, a Vanguarda exporta soja em
grão. Em 2009, começará a processar os grãos.
Conforme o secretário-executivo da
Abrange, a entidade estimulará tanto o consumo quanto o aumento
de qualidade dos produtos não transgênicos. “Estamos organizando
um banco de dados para atender às demandas de clientes internos
e externos, e buscando maneiras de investir na certificação da
cadeia produtiva como um todo”, diz Sousa, destacando que o
apelo deste mercado baseia-se, sobretudo, na segurança
alimentar.
Exportações
A produção de soja não transgênica
dos associados da Abrange soma mais de 6 milhões de toneladas,
ou 10% da safra brasileira - segundo a Conab, o país produziu 60
milhões de toneladas de soja na safra 2007/2008. Do volume total
previsto para as exportações de soja este ano (25,7 milhões de
toneladas) a soja não transgênica participa com 2,8 milhões de
toneladas. Já as exportações de farelo e proteína de soja não
transgênicos somam 4,5 milhões de toneladas.
“Somos o único país capaz de
abastecer o mundo, porque os EUA e a Argentina já cultivam
praticamente 100% de grãos transgênicos”, diz Sousa.
Sousa explica que, por segurança e
exigência dos mercados, toda a produção é certificada, da
semente ao armazém. As empresas exportadoras fiscalizam plantio,
transporte e colheita e inspecionam a limpeza de plantadoras e
colhedoras, tudo para garantir a segregação correta dos grãos.
Ao entregar a produção, são feitos os testes de transgenia. Se
for um lote 100% puro, o produtor recebe o prêmio. Se for
detectada ‘mistura’, ou contaminação por grãos transgênicos, a
safra não é devolvida, mas o produtor perde o prêmio.
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