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CMN prorroga prazo para pagamento de dívidas
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou neste dia 26, a
prorrogação, para 15 de maio, para que produtores rurais com
dívidas de operações de custeio e investimento possam pagar seus
débitos. A decisão é válida apenas para quem aderiu ao processo
de renegociação no âmbito da Lei 11.775, que terminou no ano
passado.
Estão contempladas as operações feitas com recursos do Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Finame
Agrícola Especial, Programa Nacional de Fortalecimento da
Agricultura Familiar (Pronaf), cujo prazo venceu no último dia
15, além dos contratos com verbas dos Fundos Constitucionais de
Financiamento e FAT Integrar, que venceriam neste dia 31. A
decisão do CMN está na Resolução 3702.
A extensão do prazo é atribuída às dificuldades das instituições
financeiras em formalizar a renegociação das dívidas. Desta
forma, os mutuários terão mais um mês e meio para liquidar
totalmente a dívida ou fazer uma amortização mínima e
redistribuir o restante do passivo em parcelas. Também tiveram
prazo alongado para 15 de maio as prestações vencidas ou
vincendas entre 15 de outubro de 2008 e 14 de maio deste ano dos
produtores que estavam em situação de adimplência ao aderirem ao
processo de renegociação.
De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Cândido Mota,
João Motta, a medida tomada pelo CMN foi mais um ‘paliativo do
governo em relação às dívidas dos produtores rurais’. A
preocupação do dirigente está ligada ao fato de que estas
prorrogações já são de parcelas do ano passado.
Argumento
“Já temos parcelas de investimento e custeio prorrogadas, safras
03/04, 04/05 e 05/06, com parcelas de 2009 vencendo em maio e
junho”, esclarece e argumenta. “Tivemos uma safra de verão
problemática devido à estiagem de novembro e dezembro; lavouras
de milho e soja com perda total em muitos casos e outros que mal
conseguiram cobrir os custos da sua produção”.
Os sindicatos rurais da região têm se empenhado por solução
definitiva sobre a questão do endividamento do setor
agropecuário. Os representantes da categoria acreditam que a
transferência desta dívida junto aos bancos para a União, com
taxas de juros a níveis de securitização e a prorrogação para o
final do contrato da parcela deste ano seriam algumas das
primeiras medidas para a solução do problema.
O sindicalista ainda defende uma atuação mais comprometida por
parte do governo, através de um seguro de produção e renda. “A
elaboração de uma política agrícola de longo prazo e
principalmente um seguro de produção e renda são medidas
urgentes que o governo deveria tomar, defende Motta.
Para o presidente, “Chega de enganação e demagogia”. Assim ele
define o ‘grito’ dos produtores. “Enquanto o governo salva as
instituições financeiras e montadoras de automóveis, se esquece
daquele que produz o alimento de cada dia e carrega este país
nas costas”, desabafa o sindicalista.
O líder sindical finaliza refletindo com temor sobre a crise da
agricultura brasileira. “Estamos quebrando, e mesmo assim
produzindo safras recordes e carregando nas costas os altos
números do agronegócio. Não aguentamos mais, precisamos dar
garantia de renda para quem realmente produz, do contrário o
pequeno e médio produtor corre o sério risco de ser extinto em
detrimento do sucesso do agronegócio”, concluiu João Motta.
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