Vacinação contra raiva deixa de ser obrigatório em SP

A partir da etapa de novembro, o pecuarista não é mais obrigado a vacinar seu rebanho bovino, bubalino, eqüino, caprino e ovino contra a raiva dos herbívoros, doença transmitida pelo morcego hematófago. O anúncio foi feito nesta quinta-feira pelo secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, João Sampaio, na Feira Internacional da Cadeia Produtiva do Leite (Feileite), na capital paulista.

Os controles de focos da doença e das populações do transmissor pelas equipes da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, possibilitaram a redução drástica no número de propriedades com registro da doença de 536 em 2003 para 45 no último ano.

Com o fim da obrigatoriedade, o pecuarista fica desonerado da compra de mais essa vacina. No entanto, a CDA recomenda a imunização, quando houver agressões por morcegos hematófagos e aplicação da pasta ao redor da mordedura.

Preocupado com o avanço da raiva dos herbívoros no final do ano de 2001, o Estado mudou a estratégia de ação com relação ao seu controle. Por meio da resolução 29 (de 24 de setembro de 2001), a Secretaria de Agricultura tornou obrigatória a vacinação contra a doença em toda a área de risco, abrangendo 18 regionais e cerca de 57 mil propriedades, vacinando um total de 3,2 milhões de animais.

O controle do transmissor, o morcego desmodus rotundus, passou a ser feito por meio de uma busca ativa, em que os técnicos da Secretaria, devidamente imunizados, treinados e equipados, passaram a visitar as propriedades em busca de animais agredidos e dos abrigos dos morcegos hematófagos, principalmente em áreas de cavernas e montanhas. Essas atividades foram contínuas nos últimos sete anos. Dez equipes trabalham duas semanas por mês, em forma de mutirão, em regiões específicas, ficando o controle diário por conta dos escritórios regionais de defesa agropecuária (EDAs), que totalizam 40 em todo o Estado. Com o trabalho, os focos de raiva diminuíram e a obrigatoriedade foi sendo suspensa gradualmente de 18 regiões para nenhuma.