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Pesquisador de CM se destaca internacionalmente
O físico cândido-motense Odílio Benedito Garrido de Assis foi
reconhecido internacionalmente pelo Rural Development
Administration (RDA) pela produção científica que realiza na
Embrapa Instrumentação Agropecuária, onde trabalha. Odílio
integra a lista juntamente com outro pesquisador Luiz Henrique
Capparelli Mattoso. A escolha de Odílio se deu devido à projeção
no exterior, do trabalho que desenvolve.
A seleção foi baseada no conjunto de pesquisas e a atual
projeção e impacto internacionais dos temas conduzidos por esses
pesquisadores. Odílio receberá o certificado “RDA Overseas
Honorable Researcher” a ser concedido pela RDA com sede na
Coréia do Sul.
Odílio é físico pela Unesp e doutor em Ciência e Engenharia de
Materiais pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) com
pós-doutorado na Universidade de Cornell, EUA, na área de
embalagens poliméricas ativas. Tem experiência em ciência dos
materiais, com ênfase em polímeros e materiais porosos, atuando
principalmente com filmes finos, embalagens, sensores,
nanotecnologia, biopolímeros e tecnologias pós-colheita. Também
trabalha no desenvolvimento de materiais para imobilização de
microorganismos e de sensores para agrotóxicos e materiais para
uso em filtragem.
De acordo com seu irmão Luiz Queiroz, Odílio tem se destacado
muito desde que começou a trabalhar na Embrapa há cerca de 15
anos.
“Ele tem se destacado muito, está sempre participando de eventos
nacionais e internacionais e também ministrando palestras sobre
suas linhas de pesquisa. Recentemente foi convidado para
participar de um programa de TV para falar de seu trabalho,
porém por estar nos Estados Unidos, não pode participar”, disse
Queiroz.
Pesquisa de Odílio
Odílio tem nos últimos anos pesquisado e avaliado formulações de
proteínas, gomas e polissacarídeos diversos de origem animal e
vegetal adequadas ao revestimento de frutos. Esses compostos,
após polimerização sobre a superfície, formam coberturas
extremamente finas, invisíveis a olho nu e podem atuar como
barreira à perda de umidade, além de controlarem a respiração e
apresentarem ações bactericidas reduzindo ataques
microbiológicos.
A maioria desses compostos pode ser classificada como
hidrocolóides, que são polímeros solúveis em meios aquosos,
estabilizados em géis que normalmente, solidificam e formam
filme por evaporação direta do solvente. Os revestimentos de
hidrocolóides constituem excelente barreira aos gases, mas
oferecem fraca proteção à migração do vapor de água, dada a sua
natureza hidrofílica.
Produtos com características hidrofóbicas (que rejeitam a água),
como as proteínas de soja, o glúten, as zeínas e o soro de
leite, também são frequentemente utilizadas na preparação de
soluções precursoras para revestimentos comestíveis.
Embora o processo de preparação dessas soluções requeira
protocolos e sequências reativas específicas, o revestimento em
si é um procedimento simples e passível de aplicação em larga
escala. Os frutos, ou legumes, íntegros ou fatiados são
diretamente mergulhados ou submetidos à nebulização com sistema
de pressão manual (spray) do composto protetor em condição
líquida. Após o escoamento do excesso, parte do material aderido
à superfície é parcialmente absorvida e a fração superficial
sofre o processo de cura (polimerização) por evaporação
espontânea ou forçada do solvente formando uma película
invisível.
Estudos preliminares realizados na Embrapa indicam que os
melhores resultados na formação de filmes são conseguidos com
soluções com concentrações de polissacarídeos e proteínas não
superiores a poucos gramas por litro, o que torna o processo
economicamente atrativo. Brevemente, pode-se afirmar que a
atmosfera modificada, criada pelo revestimento, gera um
aprisionamento físico do CO2 dentro do fruto, com redução da
permeação de oxigênio (O2) para seu interior, resultando em um
prolongamento do tempo de maturação. Esses polímeros naturais
apresentam também concentração de cargas superficiais que por
transferência iônica com as paredes celulares de bactérias e
fungos, provocam o rompimento dessas paredes impossibilitando a
reprodução, reduzindo assim a formação de colônias e
subsequentes contaminações. Além disso, os revestimentos
comestíveis têm a vantagem da biodegradabilidade que os torna
“ambientalmente corretos”.
Testes realizados na Embrapa em São Carlos apontam prolongamento
em até oito dias para frutos fatiados e um dobro da preservação
das condições ideais de consumo para frutos in natura, quando
revestidos e mantidos em condições não controladas de guarda.
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