‘Dados do IBGE causam impacto psicológico negativo’, diz advogado

Os dados levantados pelo IBGE em Cândido Mota, apontado decréscimo no número de habitantes no município, necessita de um amplo debate. A opinião é do advogado Ernani Luchini. Para ele, confirmando-se os dados do censo populacional que apontou 29.238 habitantes em Cândido Mota, ‘torna-se imperioso um profundo trabalho de leitura de tais dados, eis que evidentes contrastes vieram à tona’.

Segundo o advogado, o IBGE faz, anualmente, estimativa de habitantes baseando-se em dados anteriores. E de acordo com  essa estimativa a projeção era de uma população em torno de 32 mil habitantes, ‘muito embora alguns munícipes mais entusiasmados acreditavam, até mesmo, em torno de 40 mil habitantes’.

“Essa expectativa para cima vinha sendo alimentada pelo inegável crescimento físico da área urbana, com surgimento de novos bairros durante a década em curso e sensível aumento de edificações residenciais, inclusive nos distritos. A prova concreta de tal expansionismo é demonstrada pela alta valorização de terrenos urbanos, muitos dos quais, de apenas 300 metros quadrados, localizados nas áreas centrais, estão sendo negociados, até mesmo, na faixa de R$ 50 mil”, disse.

E continuou: “Também não se pode olvidar o visível aumento de circulação de pedestres e veículos nas vias públicas trazendo, inclusive, reflexos negativos representados pelo aumento de acidentes de trânsito. O mais curioso disso tudo é o contraste denotado na divergência dos números quando analisado o critério de proporcionalidade entre os dados do IBGE e demais dados colhidos de outras fontes, não menos importantes”.

Disparidade

Para Luchini, ‘hoje Cândido Mota possui registrado no Cartório Eleitoral um contingente de 23.596 eleitores’. “Isso quer dizer que apenas o eleitorado de Cândido Mota possui um contingente de 3 mil pessoas superior à população atual de Palmital. Há um parâmetro de proporcionalidade população/eleitorado estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral que tem como normalidade a proporção máxima de 60%, ou seja, se o número de eleitores for superior a 60% da população, algo pode estar errado”, exemplificou.

Assim, afirmou o advogado, se prevalecer os números do IBGE, Cândido Mota está com um contingente eleitoral que atinge praticamente 80% da população. “Ora, se a proporção população/eleitorado máxima plausível é 60%, poderíamos, em tese, dizer que mais de 6 mil eleitores de fora, estão votando em Cândido Mota, o que é um absurdo”, analisou.

A análise, conforme frisou Ernani Luchini, ‘não tem o propósito de questionar os dados apontados pelo IBGE’. “Entretanto, as gritantes divergências devem ser analisadas e cientificamente explicadas, não podendo redundar no ‘achismo’, ou seja, ‘achamos que talvez foi queda na agricultura, que talvez foi o término das obras do complexo Canoas, que talvez foi isso, que talvez foi aquilo’ e, por aí afora”.

Equipes especiais

De acordo com o advogado, ‘é preciso, a exemplo do que é feito pelos renomados institutos de pesquisas como Ibope, Data Folha e outros importantes, uma leitura mais profissional dos dados para que sejam detectados pontos que, indiscutivelmente, deverão balisar as futuras ações governamentais’. “As autoridades municipais não podem assumir uma posição de passividade diante da revelação dos dados. Elas devem, inclusive, formar equipes especiais para monitorar, eis que alegados preliminares e até mesmo passíveis de correções, se necessárias evidentemente”.

E completou: “Indubitavelmente, os dados divulgados também causam um impacto psicológico negativo na população que, pelos números, está vendo o município estacionar e, o pior, até diminuir. Pelas estimativas anteriores do IBGE, se prevalecer os resultados apresentados, pode-se dizer que Cândido Mota, em uma década, perdeu praticamente quatro municípios do tamanho de Borá”.